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El Niño: entenda o fenômeno climático e quais podem ser os impactos no Brasil

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
6 de jul.
3 min de leitura

INPE explica como o aquecimento das águas do Oceano Pacífico influencia as mudanças climáticas ainda mais no segundo semestre.


 Fenômeno pode impactar agricultura, rios e reservatórios, exigindo atenção ao monitoramento climático contínuo. – Imagem: Suthin _Saenontad/Shutterstock
 Fenômeno pode impactar agricultura, rios e reservatórios, exigindo atenção ao monitoramento climático contínuo. – Imagem: Suthin _Saenontad/Shutterstock

O fenômeno climático El Niño voltou a ser tema de atenção entre pesquisadores e órgãos de monitoramento devido à possibilidade de atuação ao longo do segundo semestre de 2026. Embora seja um evento natural, ele pode alterar significativamente o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.


Segundo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica e interfere na distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do mundo.


Como o fenômeno é identificado


Os pesquisadores explicam que o El Niño não é determinado apenas pelo aumento da temperatura do oceano. Para que o fenômeno seja oficialmente configurado, é necessário que esse aquecimento persista por alguns meses e seja acompanhado por mudanças na circulação da atmosfera, especialmente no comportamento dos ventos alísios sobre o Pacífico Equatorial.


O monitoramento é realizado por meio de uma rede internacional de boias oceanográficas coordenada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que mede continuamente a temperatura das águas do oceano e fornece dados utilizados por centros meteorológicos de diversos países, incluindo o INPE.


Possíveis impactos no Brasil


Os efeitos do El Niño variam de acordo com a intensidade do fenômeno e a região do país.


No Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas, principalmente durante a primavera, elevando o risco de temporais, enchentes e alagamentos.


Já nas regiões Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno costuma favorecer períodos mais secos, com redução das chuvas, especialmente em áreas da Amazônia e no norte da região Nordeste. Esse cenário pode aumentar o risco de estiagens, queimadas e impactos sobre os recursos hídricos.


Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE
Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE

Para o Sudeste e parte do Centro-Oeste, o El Niño pode resultar em um inverno menos rigoroso, temperaturas acima da média histórica e ocorrência mais frequente de ondas de calor. Dependendo da intensidade do fenômeno, também podem ocorrer alterações no início da estação chuvosa.


Agricultura pode ser afetada


As alterações no clima também podem influenciar a produção agrícola.

Segundo os especialistas, o aumento das chuvas no Sul pode favorecer algumas culturas, mas também provocar perdas em áreas sujeitas a alagamentos. Em outras regiões, períodos prolongados de seca podem afetar plantações, pastagens, reservatórios de água e a produção de energia hidrelétrica.


Mudanças climáticas intensificam os riscos


O pesquisador Gilvan Sampaio, do INPE, destaca que o principal fator de preocupação atualmente é a mudança climática provocada pelo aquecimento global.


De acordo com o especialista, o El Niño atua como um intensificador dos eventos extremos, aumentando a probabilidade de ondas de calor, chuvas intensas e secas severas. Mesmo em anos sem El Niño, o aquecimento global já tem contribuído para a maior frequência desses eventos.


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Monitoramento continua


O INPE, em parceria com outros órgãos federais, mantém o acompanhamento permanente das condições do Oceano Pacífico e da atmosfera. Os especialistas ressaltam que a intensidade do fenômeno ainda depende da evolução das condições climáticas ao longo dos próximos meses e recomendam que a população acompanhe os boletins oficiais divulgados pelos órgãos de meteorologia.


Além do monitoramento científico, autoridades reforçam a importância do planejamento por parte dos setores de agricultura, abastecimento de água, energia e defesa civil para reduzir os possíveis impactos associados ao El Niño, caso o fenômeno se intensifique no decorrer do ano.

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