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Incêndios florestais avançam no Pará, ameaçam residências e mobilizam bombeiros

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
10 de out.
4 min de leitura

Chamas atingem áreas de vegetação em Belterra, Juruti, Uruará e Placas; estiagem, ventos e dificuldades de acesso desafiam equipes de combate, enquanto moradores tentam proteger suas propriedades.


Dados do sistema FIRMS, da Nasa, também apontam registros de focos de calor em diferentes municípios do oeste e sudoeste do PA — Foto: FIRMS/Reprodução
Dados do sistema FIRMS, da Nasa, também apontam registros de focos de calor em diferentes municípios do oeste e sudoeste do PA — Foto: FIRMS/Reprodução

Uma série de incêndios florestais registrada nos últimos dias tem provocado preocupação em diferentes municípios do oeste e sudoeste do Pará. As chamas avançaram sobre extensas áreas de vegetação, atingiram propriedades rurais e chegaram próximo de residências, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros, brigadistas e moradores. Entre as localidades afetadas estão Belterra, Juruti, Uruará e Placas, onde o combate ao fogo exige operações prolongadas devido à grande extensão territorial, à vegetação seca e às condições climáticas desfavoráveis.


Em Juruti, um incêndio de grandes proporções começou na quarta-feira (7), em uma área de mata localizada às margens da rodovia PA-192, na altura do quilômetro 47, nas proximidades das instalações da mineradora Alcoa. A ocorrência mobilizou equipes de emergência da empresa, que realizaram ações de combate às chamas, resfriamento de áreas consideradas sensíveis e monitoramento aéreo com drones. Segundo informações divulgadas pela mineradora, não houve registro de pessoas feridas.


Como medida preventiva, o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) precisou ser evacuado, e os animais foram transferidos para o Centro de Educação Ambiental (CEA). Algumas atividades ferroviárias e de comunicação também foram temporariamente interrompidas por segurança, sendo posteriormente restabelecidas. A empresa informou que mantém o acompanhamento das áreas atingidas para identificar possíveis focos remanescentes e evitar novos episódios de propagação do fogo.



Na região da rodovia BR-163, moradores relataram que uma queima de pastagem teria saído do controle, provocando um incêndio que atingiu áreas de vegetação e propriedades rurais. Conforme os relatos, as chamas começaram nas proximidades do quilômetro 140 e avançaram durante a noite até o quilômetro 145, próximo à comunidade São Mateus. A velocidade de propagação aumentou a preocupação dos moradores, principalmente diante da possibilidade de o fogo alcançar outras propriedades.


Em Belterra, a situação também gerou apreensão na comunidade São Jorge, onde um incêndio atingiu uma extensa área de vegetação e se aproximou de residências. Diante do risco, moradores organizaram uma força-tarefa para tentar impedir que as chamas alcançassem as casas. Há suspeitas de que o incêndio tenha começado após a queima de lixo durante a limpeza de uma área de pastagem. Entretanto, a origem do fogo ainda não foi oficialmente confirmada.


Entre os municípios de Uruará e Placas, equipes do Corpo de Bombeiros de Altamira, Itaituba e Santarém foram mobilizadas após uma solicitação da Defesa Civil de Uruará. Conforme informações divulgadas na sexta-feira (9), os militares já atuavam havia pelo menos três dias no combate aos incêndios. A operação também recebeu apoio de proprietários rurais, que disponibilizaram máquinas e trabalhadores para auxiliar na abertura de barreiras de contenção e na proteção das propriedades ameaçadas.


Na região conhecida como Chapadão, os bombeiros enfrentaram condições especialmente difíceis, com fumaça intensa, baixa visibilidade e focos espalhados por diferentes áreas. Durante uma das operações, foi necessário utilizar uma técnica de queima controlada para estabelecer uma barreira de proteção e impedir que as chamas alcançassem uma área considerada vulnerável. Os militares também trabalharam para proteger uma construção ameaçada pelo incêndio.


O sargento Júlio César Galúcio, do Corpo de Bombeiros de Santarém, divulgou registros das operações e chamou a atenção para os riscos das queimadas utilizadas na limpeza de terrenos e na eliminação de resíduos. Segundo o militar, pequenos focos podem se transformar rapidamente em incêndios de grandes proporções, especialmente quando encontram vegetação seca e ventos favoráveis à propagação das chamas.


os incêndios representam riscos à saúde da população, especialmente pela exposição à fumaça (Foto: Reprodução)
os incêndios representam riscos à saúde da população, especialmente pela exposição à fumaça (Foto: Reprodução)

O avanço dos incêndios também é acompanhado por sistemas de monitoramento por satélite. Dados do sistema FIRMS, da agência espacial norte-americana Nasa, divulgados nas reportagens sobre as ocorrências, indicam focos de calor em municípios como Rurópolis, Placas, Uruará, Itaituba e Novo Progresso, além de áreas próximas à Floresta Nacional do Tapajós, entre Belterra e Aveiro. Também foram apontados registros em Jacareacanga, Oriximiná, Óbidos, Alenquer e Monte Alegre. É importante destacar que os focos de calor identificados por satélites representam anomalias térmicas e não correspondem, necessariamente, a incêndios confirmados individualmente.


Além dos prejuízos ambientais, os incêndios representam riscos à saúde da população, especialmente pela exposição à fumaça, que pode agravar problemas respiratórios. Nas rodovias, a redução da visibilidade também aumenta o perigo de acidentes. Mesmo após o controle das chamas, materiais como troncos e raízes podem permanecer em combustão por vários dias, exigindo monitoramento para impedir que o fogo volte a se espalhar.


Diante do cenário, o Corpo de Bombeiros reforça a importância de evitar queimadas para limpeza de terrenos, descarte de lixo ou manejo de vegetação durante o período de estiagem. A recomendação é que qualquer princípio de incêndio seja comunicado imediatamente às autoridades competentes, pelo telefone 193, evitando tentativas de combate sem equipamentos e treinamento adequados.


As ocorrências evidenciam os desafios enfrentados pelos municípios paraenses durante o período mais seco do ano, quando a combinação de altas temperaturas, baixa umidade e vegetação ressecada favorece a rápida propagação das chamas. O trabalho integrado entre bombeiros, brigadistas, órgãos ambientais e comunidades rurais é fundamental para reduzir os danos e proteger vidas, propriedades e áreas de floresta.

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