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Luto na música brasileira: cantor Netinho, ícone do axé, morre aos 60 anos após luta contra o câncer

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
13 de out.
4 min de leitura

Artista morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, após complicações provocadas por um linfoma não Hodgkin. Dono de sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, Netinho marcou gerações e ajudou a popularizar o axé music no Brasil e no exterior.


Netinho, um dos grandes nomes do axé music, morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, aos 60 anos. O cantor marcou gerações com sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”.
Netinho, um dos grandes nomes do axé music, morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, aos 60 anos. O cantor marcou gerações com sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”.

A música brasileira perdeu nesta terça-feira (13 de outubro de 2026) uma de suas vozes mais marcantes. O cantor e compositor Netinho, considerado um dos grandes representantes do axé music, morreu aos 60 anos, em Salvador, na Bahia, após enfrentar uma batalha contra o câncer. O artista estava internado no Hospital Aliança Star, onde recebia tratamento para um linfoma não Hodgkin de células B, doença que afeta o sistema linfático. Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa, o quadro clínico evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, resultando em sua morte.


A confirmação do falecimento foi divulgada pela equipe do cantor por meio de um comunicado publicado nas redes sociais. A notícia provocou comoção entre fãs, amigos e personalidades do meio artístico, que passaram a prestar homenagens ao músico responsável por sucessos que marcaram o Carnaval brasileiro, especialmente durante as décadas de 1990 e 2000.


Netinho havia sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin em março de 2025, após apresentar fortes dores nas pernas e nas costas, além de dificuldades para caminhar. Na ocasião, precisou ser hospitalizado e suspendeu compromissos profissionais para iniciar o tratamento. Após apresentar melhora, o cantor chegou a demonstrar expectativa de retornar aos palcos, mas, em maio de 2026, revelou que a doença havia retornado, exigindo novos ciclos de quimioterapia e acompanhamento médico especializado.


Com o agravamento do estado de saúde, o artista voltou a ser internado em agosto deste ano. Durante o tratamento, chegou a compartilhar com seus seguidores informações sobre as sessões de quimioterapia e a possibilidade de realizar um autotransplante de medula óssea. No final de setembro, sua assessoria anunciou que ele se afastaria temporariamente das redes sociais para concentrar seus esforços na recuperação.


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Nascido em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Netinho, demonstrou interesse pela música ainda na adolescência. Após mudar-se com a família para Salvador, começou a desenvolver suas habilidades musicais e passou a se apresentar em pequenos espaços, interpretando canções da música popular brasileira.


Sua trajetória profissional ganhou destaque em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo, grupo que se tornou uma das referências do axé music. Com uma presença de palco marcada pela energia e pela interação com o público, Netinho conquistou milhares de fãs e ajudou a consolidar o ritmo baiano como um fenômeno nacional. Canções como “Beijo na Boca”, “A Vida É Festa” e “Estrela Primeira” passaram a fazer parte do repertório de festas, micaretas e carnavais em diferentes regiões do país.


Em 1993, o cantor iniciou carreira solo, lançando o álbum “Um Beijo Pra Você”. Entretanto, foi em 1996 que alcançou um dos momentos mais importantes de sua trajetória, com o sucesso de “Milla”, música que se transformou em um verdadeiro hino do axé music. A canção conquistou as rádios, os programas de televisão e os trios elétricos, tornando-se um dos maiores sucessos daquele período.


Além de “Milla”, o artista também ficou conhecido por músicas como “Preciso de Você” e “Fim de Semana”, consolidando uma carreira de projeção nacional e internacional. Netinho participou de apresentações em diversos países e contribuiu para ampliar a presença da música baiana fora do Brasil, levando a energia dos trios elétricos para públicos de diferentes culturas.


O cantor e compositor Netinho, participa do programa Sem Censura, da TV Brasil. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)  
O cantor e compositor Netinho, participa do programa Sem Censura, da TV Brasil. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)  

Ao longo de sua carreira, o cantor enfrentou outros problemas graves de saúde. Em 2013, sofreu complicações que resultaram em internações prolongadas e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), afetando temporariamente sua capacidade de cantar. Após um longo período de recuperação, conseguiu retomar gradualmente suas atividades artísticas, mantendo uma relação próxima com os fãs.


Mesmo durante o tratamento contra o câncer, Netinho demonstrava o desejo de voltar aos palcos. Entre seus projetos estava a preparação de um espetáculo chamado “1966”, referência ao ano de seu nascimento, que pretendia reunir música e recursos tecnológicos em uma nova proposta artística.


Fora dos palcos, o cantor também participou da vida política brasileira. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal pela Bahia, pelo Partido Liberal (PL), mas não conseguiu se eleger. Apesar dessa experiência, foi na música que construiu sua trajetória de maior reconhecimento público.


Após a confirmação da morte, artistas como Claudia Leitte, Alexandre Pires, Bell Marques e Carlinhos Brown prestaram homenagens ao cantor, destacando sua importância para a cultura brasileira e sua contribuição para a história do axé music.


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Em uma mensagem de despedida divulgada pela assessoria, Netinho foi lembrado por sua gratidão à vida e ao carinho recebido do público. Durante o tratamento, o artista teria manifestado que partiria feliz e realizado, por considerar que a vida havia lhe proporcionado muito mais do que imaginava.


A família informou que o velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos, respeitando um desejo manifestado pelo próprio cantor. Os detalhes sobre horários e locais das cerimônias não foram divulgados.


A morte de Netinho representa uma perda significativa para a música brasileira, especialmente para o axé, gênero que ajudou a transformar em um dos principais símbolos culturais da Bahia. Sua voz, suas apresentações nos trios elétricos e suas canções permanecem na memória de milhões de brasileiros que acompanharam sua trajetória.

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