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Menina indígena atacada por onça permanece na UTI; pai enfrentou animal para salvar a filha

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
20 de out.
3 min de leitura

Criança foi surpreendida pelo felino quando se dirigia a um igarapé em uma aldeia indígena de Jacareacanga. Vítima sofreu ferimentos graves na cabeça, passou por cirurgia e precisou ser transportada de barco e avião até hospital em Itaituba.


Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba. — Foto: Jader Paes/Agência Pará
Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba. — Foto: Jader Paes/Agência Pará

Uma menina indígena de apenas oito anos permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, no sudoeste do Pará, após ser violentamente atacada por uma onça na manhã do último sábado (17). O incidente ocorreu por volta das 7h30, na região das aldeias Prata e Cajual, na Terra Indígena Munduruku, localizada no município de Jacareacanga.


A criança sofreu ferimentos graves, principalmente na região da cabeça e do rosto, e precisou passar por um procedimento cirúrgico. Apesar de a cirurgia ter sido considerada bem-sucedida, seu estado de saúde continua inspirando cuidados, e ela permanece sob acompanhamento médico intensivo.


De acordo com relatos de moradores da comunidade indígena, a menina estava em uma área de roça acompanhada de familiares quando se afastou por alguns instantes para buscar água em um igarapé próximo. Durante o deslocamento, foi surpreendida pelo animal, que avançou contra ela. Os gritos de socorro alertaram os familiares, que correram em direção ao local e se depararam com uma cena desesperadora.


Segundo Odailson Munduruku, morador da comunidade, o pai da criança foi um dos primeiros a chegar ao local do ataque. Ao se aproximar, encontrou a onça ainda agarrada à menina e tentou afastar o animal para impedir que a filha continuasse sendo ferida. Diante da aproximação, o felino soltou a vítima, permitindo que ela fosse retirada da situação de perigo. O pai, que estava armado com um facão, acompanhou o animal, enquanto a mãe buscava ajuda entre os moradores da aldeia.


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O ataque provocou grande mobilização na comunidade indígena. Após o resgate da menina, moradores se organizaram para localizar a onça, que acabou se refugiando em um buraco. O animal foi posteriormente morto pelos indígenas, conforme relatos de integrantes da comunidade.


Resgate exigiu transporte de barco e avião até hospital


A localização da aldeia, em uma região de difícil acesso no interior da floresta amazônica, tornou o socorro ainda mais complexo. Após ser retirada do local do ataque, a criança foi levada até a comunidade, onde aguardou a chegada de assistência especializada.


Segundo os relatos, a menina permaneceu aproximadamente uma hora aguardando a organização do resgate. Posteriormente, foi transportada em uma embarcação do tipo voadeira, em um percurso de cerca de 30 minutos, até a aldeia Missão São Francisco do Rio Cururu, que dispõe de uma pista de pouso.


A partir desse ponto, equipes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Rio Tapajós organizaram a remoção aérea da vítima até Itaituba, onde ela foi encaminhada ao Hospital Regional do Tapajós para atendimento especializado.

A operação exigiu a articulação entre moradores indígenas e profissionais de saúde, diante das dificuldades geográficas e da necessidade de atendimento urgente.


Criança passou por cirurgia e continua sob cuidados intensivos


No hospital, a menina recebeu atendimento de emergência e foi submetida a uma cirurgia para tratar os ferimentos provocados pelo ataque. O procedimento foi considerado bem-sucedido, mas a gravidade das lesões exigiu sua permanência na Unidade de Terapia Intensiva.


As informações divulgadas nesta terça-feira (20) indicam que a criança continua internada e necessita de acompanhamento especializado. Embora alguns relatos tenham mencionado estabilidade clínica, outras informações apontam que seu quadro ainda é grave, especialmente em razão dos ferimentos na cabeça.

Até a divulgação das informações consultadas, não havia confirmação oficial sobre previsão de alta hospitalar ou possíveis sequelas decorrentes do ataque.


Uma menina indígena de oito anos foi atacada por uma onça na Terra Indígena Munduruku, no sudoeste do Pará.
Uma menina indígena de oito anos foi atacada por uma onça na Terra Indígena Munduruku, no sudoeste do Pará.

Ataque provocou medo e comoção entre moradores


O episódio causou preocupação entre os moradores da Terra Indígena Munduruku, especialmente pela forma repentina como o ataque ocorreu. O caso também ganhou repercussão após familiares relatarem os momentos de desespero vividos durante a tentativa de salvar a criança.


A presença de grandes felinos faz parte da realidade de diferentes regiões da Amazônia, onde comunidades tradicionais mantêm contato frequente com áreas de floresta. Entretanto, ataques de onças contra seres humanos são considerados incomuns, e as circunstâncias específicas deste episódio ainda não foram esclarecidas.


O caso evidencia as dificuldades enfrentadas por comunidades indígenas localizadas em regiões remotas, sobretudo quando há necessidade de atendimento médico de urgência. Nessas localidades, a distância até hospitais e a dependência de transporte fluvial e aéreo podem tornar as operações de resgate mais demoradas e complexas.


Enquanto permanece internada em Itaituba, a menina segue recebendo cuidados médicos. Familiares e moradores da comunidade acompanham sua recuperação e aguardam notícias sobre a evolução do quadro clínico.

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