Novo monitoramento do Cemaden mostra piora da seca, e acende alerta para norte
Novo monitoramento do Cemaden mostra agravamento expressivo em relação a 2025; estiagem pressiona agricultura familiar, áreas protegidas e recursos hídricos enquanto previsões apontam cenário de atenção para os próximos meses.

A seca volta a avançar sobre a Região Norte do Brasil e os dados mais recentes divulgados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) revelam um cenário que exige atenção. O boletim referente a agosto de 2026, publicado nesta quarta-feira (2), mostra que, considerando os municípios nortistas com calendário de plantio vigente para feijão e milho, 31 municípios do Amazonas apresentaram condições de seca: 14 em situação severa e outros 17 sob seca moderada. No mesmo período de 2025, eram apenas nove municípios classificados com seca moderada nesse recorte.
O salto chama atenção pela velocidade do agravamento. Em apenas um ano, o número de municípios amazonenses afetados nesse indicador passou de 9 para 31, enquanto surgiu uma categoria que não aparecia naquele comparativo: 14 municípios já enfrentam seca severa. Os dados fazem parte do acompanhamento realizado pelo Cemaden para avaliar os riscos da seca sobre a agricultura familiar e utilizam informações sobre precipitação, umidade do solo e condições da vegetação.
Norte entra no mapa de preocupação nacional
O problema não está isolado. O Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mostrou recentemente que a área atingida pela seca no Brasil aumentou de 45% para 52% do território nacional entre junho e julho. O fenômeno avançou nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto houve redução apenas no Sul.

No Norte, o comportamento dos rios também está sendo acompanhado de perto. Em boletim divulgado pelo Cemaden em agosto, as principais bacias dos rios Solimões, Madeira, Tapajós, Juruá, Purus e Amazonas ainda apresentavam condições de normalidade hidrológica. Entretanto, as bacias dos rios Negro e Xingu registravam seca fraca e moderada, respectivamente.
O dado mais preocupante estava justamente na projeção: o Cemaden indicava possibilidade de intensificação da seca na bacia do Rio Negro, passando de fraca para severa.
Isso significa que o cenário exige acompanhamento constante. Na Amazônia, a redução das chuvas e dos níveis dos rios não representa apenas um problema ambiental. Os rios são verdadeiras estradas para milhares de comunidades, garantindo transporte de pessoas, alimentos, medicamentos, combustíveis e mercadorias.
Quando os níveis caem excessivamente, comunidades ribeirinhas podem ficar isoladas, embarcações enfrentam dificuldades de navegação e o custo logístico aumenta.
Pará também aparece entre as áreas sob pressão
O Pará também surge nos dados mais recentes do Cemaden. Em agosto, o número de assentamentos rurais brasileiros classificados em seca severa saltou de 44 para 216, enquanto aqueles sob seca moderada passaram de 309 para 1.208. O Pará aparece entre os estados de destaque pela abrangência territorial da seca moderada.
Um dado particularmente grave envolve Monte Alegre, no oeste paraense. Entre os assentamentos rurais monitorados pelo Cemaden, foi registrado um assentamento em condição de seca excepcional no município, a classificação mais elevada na escala utilizada pelo monitoramento. Outros 32 assentamentos brasileiros estavam em seca extrema.
As Unidades de Conservação também estão sendo afetadas. Entre julho e agosto, o número de registros de UCs brasileiras em condição de seca severa passou de 14 para 15, enquanto os registros de seca moderada aumentaram de 44 para 68. Segundo o Cemaden, as situações de seca severa permaneceram concentradas principalmente no Amazonas e em Roraima




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