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Operação Termidor mira empresários e esquema bilionário ligado à “guerra do dendê” no Pará

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
17 de set.
2 min de leitura

Ação da Polícia Federal e da Receita Federal cumpre mandados em Tomé-Açu e outros quatro municípios.


PF combate crimes relacionados ao cultivo de dendê no Pará | (Foto: Polícia Federal).
PF combate crimes relacionados ao cultivo de dendê no Pará | (Foto: Polícia Federal).

A Polícia Federal, em ação conjunta com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Termidor, destinada a combater uma organização criminosa suspeita de atuar no furto, na receptação e na comercialização ilegal de frutos de dendê no Pará. Empresários investigados estão entre os alvos das medidas judiciais cumpridas em Tomé-Açu.


Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão, cumpridos nos municípios paraenses de Tomé-Açu, Belém, Ananindeua e Castanhal, além de Indaiatuba, no estado de São Paulo. As ordens foram autorizadas pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará. A Polícia Federal ainda não divulgou oficialmente os nomes dos investigados.


Segundo as investigações, a organização teria se infiltrado na cadeia produtiva do dendê e estruturado um esquema envolvendo a subtração do fruto, sua receptação e posterior comercialização por meio de empresas. Os suspeitos também são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos e valores.


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A apuração teve origem na chamada “guerra do dendê”, conflito identificado principalmente nos municípios de Tomé-Açu, Concórdia do Pará, Acará, Moju e Tailândia. De acordo com a Polícia Federal, a região teria sido ocupada por uma estrutura criminosa armada voltada à prática de crimes ligados à produção e ao comércio ilegal do dendê.


Os levantamentos fiscais, patrimoniais e financeiros apontam que os grupos empresariais investigados movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, misturando recursos de origem lícita e ilícita. Parte dessas movimentações não teria documentação contábil suficiente para comprovar a origem e a destinação dos valores.



A Receita Federal também identificou indícios de incompatibilidade entre a capacidade financeira declarada pelos investigados e os valores efetivamente movimentados. Entre as irregularidades apuradas estão pagamentos recorrentes a pessoas sem relação aparente com o setor, comercialização de mercadorias sem registro de entrada nos estoques, empresas abertas em nome de terceiros e patrimônio mantido por possíveis “laranjas”.


Além das prisões e buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores e a suspensão, por tempo indeterminado, das atividades econômicas de 11 empresas. A investigação também apura a possível participação de agentes públicos ligados à área da segurança e de integrantes de facção criminosa no esquema.



Documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante a operação serão analisados pela Polícia Federal e pela Receita Federal. As informações obtidas serão confrontadas com dados fiscais, patrimoniais e bancários para identificar outros envolvidos, dimensionar os valores movimentados e esclarecer a origem dos recursos.


As pessoas investigadas ainda não foram julgadas e têm assegurados o direito à defesa e a presunção de inocência.

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