PF apreende R$ 87 mil e acha celular no esgoto em operação que mira Antônio Doido
Deputado federal do MDB e candidato à reeleição é alvo de investigação sobre possíveis crimes eleitorais; dinheiro estava em sacolas e envelopes com nomes, e uma pessoa foi presa em flagrante por corrupção eleitoral.

O deputado federal Antônio Leocádio dos Santos, conhecido como Antônio Doido (MDB-PA), voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal. Candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados nas Eleições de 2026, o parlamentar foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos no domingo (27), em Belém, durante uma investigação que apura possíveis crimes eleitorais.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), em endereços vinculados ao deputado. Durante as diligências, os agentes apreenderam R$ 87.475 em dinheiro vivo, três veículos, documentos e aparelhos eletrônicos.
Um dos elementos que mais chamou atenção durante as buscas foi a forma como parte do material foi localizada. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, um aparelho celular foi encontrado escondido no sistema de esgoto de um dos imóveis, nas proximidades de duas sacolas contendo dinheiro em espécie.
A PF também encontrou parte dos valores distribuída em envelopes identificados com nomes de pessoas. Junto ao dinheiro havia uma relação contendo nomes e registros de assinaturas de recebimento. A origem e a destinação dos recursos ainda serão investigadas, assim como a eventual relação do material apreendido com ilícitos eleitorais.
Durante a operação, uma pessoa foi presa em flagrante sob acusação de corrupção eleitoral. A investigação prossegue para esclarecer as circunstâncias dos fatos e identificar eventuais outros envolvidos.
Quem é Antônio Doido
Antônio Doido tem 50 anos e nasceu em Dom Macedo Costa, na Bahia, mas construiu sua trajetória política no Pará. Em 2016, foi eleito prefeito de São Miguel do Guamá, no nordeste paraense, pelo PSDB. Em 2020, já filiado ao PL, tentou a reeleição, mas não conseguiu permanecer no cargo.
Dois anos depois, em 2022, Antônio Doido concorreu à Câmara dos Deputados pelo MDB e foi eleito deputado federal pelo Pará, recebendo 126.535 votos. Em 2024, disputou a Prefeitura de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, mas terminou a eleição na segunda colocação. Agora, em 2026, concorre novamente a uma cadeira de deputado federal.
À Justiça Eleitoral, o candidato declarou em 2026 um patrimônio de R$ 2,23 milhões, composto por quatro imóveis rurais ou terrenos. Entre os bens declarados estão um terreno às margens da PA-150, avaliado em R$ 1,15 milhão; outro às margens da BR-316, de R$ 730 mil; uma fazenda em Ourém, declarada por R$ 200 mil; e um lote na Alça Viária, de R$ 150 mil.
Deputado já havia sido alvo da Polícia Federal
A operação deste fim de semana não é o primeiro episódio envolvendo Antônio Doido em investigações da Polícia Federal.
Em dezembro de 2025, o deputado foi alvo da Operação Igapó, investigação sobre suspeitas de desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e organização criminosa. Na ocasião, mandados também foram cumpridos em seu apartamento funcional, em Brasília.
Segundo informações da investigação divulgadas à época, a apuração envolvia movimentações de grandes quantias em espécie. A PF investigava um conjunto de saques que teria alcançado R$ 48 milhões, além da possível utilização de empresas e contratos públicos no esquema investigado.

Um episódio daquela operação também envolveu um aparelho celular. Durante o cumprimento das buscas no apartamento funcional do parlamentar, agentes localizaram um telefone na área externa do prédio. Segundo informações colhidas pela PF e divulgadas posteriormente, o aparelho teria sido jogado pela janela durante a diligência.
As investigações de 2025 também alcançaram suspeitas relacionadas a contratos públicos e licitações. Segundo informações divulgadas sobre o caso, a apuração examinava, entre outros pontos, uma licitação de aproximadamente R$ 142 milhões relacionada a obras para a COP30. O governo do Pará afirmou, à época, que suas contratações observavam o processo licitatório e negou irregularidades.
A defesa de Antônio Doido, na investigação de 2025, negou irregularidades e afirmou confiar no Poder Judiciário e na inocência do parlamentar. Sobre a operação eleitoral deste domingo, veículos que divulgaram o caso informaram que buscavam manifestação da defesa.
Material apreendido será analisado
Agora, a Polícia Federal deverá analisar os aparelhos eletrônicos, documentos e demais materiais recolhidos na nova operação. A investigação busca determinar de onde vieram os R$ 87.475 apreendidos, para quem os valores seriam destinados e qual seria a finalidade dos envelopes e registros de recebimento encontrados pelos agentes.
Até o momento, a apreensão e a condição de investigado não significam condenação. A eventual responsabilidade criminal ou eleitoral dos envolvidos dependerá do avanço das investigações e das decisões das autoridades competentes.




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