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Tambaqui está ameaçado de extinção? Entenda por que espécie foi classificada como vulnerável

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
7 de ago.
4 min de leitura

Peixe típico da Amazônia foi incluído em 2026 na lista oficial de espécies ameaçadas. ICMBio aponta risco alto de extinção na natureza.


Tambaqui — Foto: Shutterstock/Reprodução
Tambaqui — Foto: Shutterstock/Reprodução

O tambaqui (Colossoma macropomum) passou a integrar a lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Brasil. A espécie é classificada como Vulnerável (VU) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), categoria que indica risco alto de extinção na natureza.


A classificação consta no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) e está registrada na ficha de avaliação da espécie.

Embora a classificação como vulnerável tenha sido estabelecida pelo ICMBio em 4 de setembro de 2023, a inclusão do tambaqui na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos foi reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 2026, por meio da Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril deste ano.


O que significa ser uma espécie vulnerável?


O ICMBio utiliza diferentes categorias para classificar o risco de extinção das espécies.

A categoria Vulnerável (VU) significa que a espécie enfrenta um risco alto de desaparecer da natureza. Ela está abaixo das categorias "Em Perigo" e "Criticamente em Perigo", que representam riscos ainda maiores.


As categorias utilizadas pelo órgão são:

  • Extinta (EX): não há dúvida de que o último indivíduo morreu;

  • Extinta na Natureza (EW): a espécie sobrevive apenas em cativeiro ou cultivo;

  • Criticamente em Perigo (CR): risco extremamente alto de extinção na natureza;

  • Em Perigo (EN): risco muito alto de extinção na natureza;

  • Vulnerável (VU): risco alto de extinção na natureza;

  • Quase Ameaçada (NT): próxima de atingir os critérios de ameaça;

  • Menos Preocupante (LC): população considerada abundante e segura no momento;

  • Dados Insuficientes (DD): informações insuficientes para avaliar o risco.


Por que o tambaqui entrou na categoria de vulnerável?


Segundo a avaliação do ICMBio, o tambaqui apresenta tendência de declínio populacional. Uma das análises apresentadas pelo órgão projeta uma redução de 43,4% da população global em três tempos geracionais.


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O tempo geracional da espécie foi estimado em 22 anos.

Entre as principais ameaças identificadas está o uso de recursos biológicos, especialmente a pesca e a utilização de recursos aquáticos.

O tambaqui ocorre naturalmente nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, com presença registrada em países como Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela.

No Brasil, a espécie é encontrada naturalmente em áreas de várzea da bacia amazônica, incluindo estados como Acre, Amazonas e Rondônia.


Pesca e piscicultura


O tambaqui é uma espécie amplamente utilizada tanto na pesca comercial e de subsistência quanto na piscicultura.

De acordo com a ficha do ICMBio, o peixe chegou a figurar entre as dez espécies mais exploradas na região amazônica.


A piscicultura também possui papel importante no abastecimento. Segundo o órgão, quase todo o tambaqui comercializado em feiras, mercados e frigoríficos de Manaus é proveniente de criação em cativeiro.


Apesar disso, a nova avaliação do risco não considerou que a produção em pisciculturas e a presença da espécie em áreas protegidas fossem suficientes para reduzir a classificação de ameaça.


Classificação mudou em relação a 2014


O tambaqui já havia sido avaliado anteriormente pelo ICMBio. Na avaliação nacional realizada em 2014, a espécie estava classificada como Quase Ameaçada (NT).

Naquele período, fatores como a presença do peixe em áreas protegidas e a disponibilidade de exemplares provenientes da piscicultura foram considerados capazes de atenuar o risco de extinção no curto prazo.


Na avaliação mais recente, porém, o entendimento foi diferente. Embora esses fatores tenham sido analisados, o órgão concluiu que eles não seriam suficientes para reduzir o risco identificado para a espécie.


Especialista considera classificação um alerta


Para o professor e biólogo Edinbergh Caldas de Oliveira, ainda não existem dados estatísticos suficientes para apontar especificamente quais regiões apresentam redução no número de tambaquis na natureza.

Segundo ele, faltam informações abrangentes sobre a quantidade de peixes capturados e desembarcados nos rios da Amazônia.


Produção de tambaqui. — Foto: Raquel Maia/Amazônia Agro/Rede Amazônica
Produção de tambaqui. — Foto: Raquel Maia/Amazônia Agro/Rede Amazônica

O especialista avalia que a classificação como vulnerável deve ser encarada como um alerta para a conservação da espécie. Ele também destaca a necessidade de pesquisas mais detalhadas, especialmente diante de fatores ambientais que afetam os rios amazônicos.


Ainda de acordo com o biólogo, não há, neste momento, dados suficientes para estabelecer uma proibição geral ou uma liberação completa da pesca do tambaqui.


O que pode mudar na pesca do tambaqui?


A avaliação do ICMBio inclui recomendações de medidas voltadas à conservação da espécie.

Entre elas está a suspensão temporária, por cinco anos, da pesca comercial do tambaqui na Amazônia brasileira, seguida da adoção de medidas complementares de manejo.


O documento também recomenda a manutenção de regras relacionadas ao tamanho mínimo de captura e ao período de defeso, além de outras medidas de gestão da pesca.

A classificação como vulnerável não significa que a espécie esteja prestes a desaparecer imediatamente. Ela indica que o tambaqui enfrenta um risco elevado de extinção na natureza e que medidas de conservação e manejo são necessárias para reduzir as ameaças identificadas.

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