Advogado é preso suspeito de tentar matar ex-companheira a facadas em Belém
Crime ocorreu em um apartamento no bairro de Nazaré. Suspeito foi localizado pela Polícia Civil em um hotel após fugir do local. Família denuncia possível emboscada, e OAB-PA determina suspensão cautelar do exercício profissional do advogado.

Um advogado identificado como Danilo Brasil Lopes foi preso em flagrante, na tarde de terça-feira (20), suspeito de tentar matar a ex-companheira a facadas dentro de um apartamento localizado na avenida Governador José Malcher, no bairro de Nazaré, em Belém. O crime aconteceu na noite de segunda-feira (19) e está sendo investigado pela Polícia Civil do Pará como tentativa de feminicídio. A vítima foi atingida por três golpes de faca, sofreu intenso sangramento e precisou passar por cirurgia. Após o ataque, o suspeito fugiu e permaneceu escondido até ser localizado por equipes policiais em um hotel no bairro da Campina, na capital paraense.
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil, a mulher foi atacada dentro de um imóvel residencial e sofreu ferimentos graves na região abdominal.
Familiares relataram que alguns dos golpes também atingiram a região torácica, provocando lesões nos pulmões e colocando a vida da vítima em risco. Mesmo ferida, ela conseguiu escapar do agressor e buscar ajuda no prédio. A mulher foi socorrida e encaminhada a uma unidade hospitalar, onde recebeu atendimento de emergência e foi submetida a procedimento cirúrgico. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, ela permanecia internada em um Centro de Terapia Intensiva (CTI), sem atualização oficial sobre seu estado de saúde até a manhã desta quarta-feira (21).
Família suspeita que vítima tenha sido atraída para emboscada
Conforme relatos apresentados por familiares, a mulher teria sido convidada pela mãe do investigado para comparecer ao apartamento, sob o pretexto de conversar sobre problemas familiares e uma possível reconciliação com o ex-companheiro. O casal estava separado havia aproximadamente quatro meses, após um relacionamento que durou cerca de três anos.
Segundo Giovanni Künzig, irmão da vítima, a mãe do advogado teria informado que o filho não estaria no imóvel. Entretanto, quando a mulher se preparava para deixar o apartamento, Danilo teria aparecido armado com uma faca e iniciado as agressões.
Ainda conforme o relato familiar, a vítima tentou se defender utilizando objetos que estavam no apartamento, incluindo vasos, e entrou em luta corporal com o suspeito. Durante a agressão, a mãe do investigado supostamente teria segurado a mulher, dificultando sua reação e facilitando o ataque.
A família acredita que o encontro possa ter sido planejado e solicita que a Polícia Civil investigue uma eventual participação da mãe do advogado. É importante destacar que essas acusações são baseadas nos relatos dos familiares e ainda não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades policiais.

Vítima conseguiu fugir e pedir socorro
Mesmo após sofrer os golpes, a mulher conseguiu se desvencilhar do agressor e sair do apartamento. Segundo informações divulgadas pela imprensa paraense, ela desceu vários andares do prédio até alcançar a recepção, onde caiu devido à gravidade dos ferimentos.
Um policial militar que reside no condomínio e o porteiro do edifício prestaram os primeiros auxílios e acionaram o socorro. Enquanto a vítima recebia atendimento, o suspeito deixou o local.
A mulher foi encaminhada ao hospital e precisou ser submetida a cirurgia. Familiares também mobilizaram uma campanha de doação de sangue para auxiliar no tratamento e na recuperação da vítima.
Polícia identificou esconderijo do advogado por meio de fotografia
Após tomar conhecimento da tentativa de feminicídio, equipes da Delegacia de Enfrentamento ao Feminicídio e Outras Mortes Violentas em Função de Gênero (Defem), unidade especializada da Polícia Civil do Pará, iniciaram diligências para localizar o suspeito.
A investigação foi conduzida pela equipe da delegada Adriany Carvalho, titular da Defem. Durante as buscas, os policiais analisaram uma fotografia que o próprio investigado havia enviado a um familiar da vítima. A imagem forneceu elementos que permitiram identificar o hotel onde ele estava hospedado, no bairro da Campina.
Com as informações obtidas, os agentes se deslocaram ao estabelecimento, confirmaram a presença do advogado e efetuaram a prisão dentro do quarto em que ele se encontrava.
Após a captura, Danilo Brasil Lopes foi encaminhado à unidade policial especializada, onde foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante pelo crime de tentativa de feminicídio. O investigado permaneceu à disposição da Justiça para os procedimentos legais, incluindo audiência de custódia.

Áudios atribuídos ao suspeito provocam revolta entre familiares
Outro elemento que passou a integrar as discussões sobre o caso foi a divulgação de mensagens de áudio atribuídas ao advogado, nas quais ele supostamente admite ter atacado a ex-companheira com uma faca.
As gravações foram compartilhadas por familiares da vítima nas redes sociais na noite de terça-feira (20). Em uma das mensagens, o homem afirma ter desferido três golpes contra a mulher e demonstra acreditar que ela teria morrido em consequência dos ferimentos.
Segundo os familiares, o suspeito também teria encaminhado mensagens ofensivas e ameaçadoras a pessoas próximas da vítima após o ataque.
O conteúdo das gravações poderá contribuir para esclarecer as circunstâncias do crime, inclusive a possibilidade de premeditação. Entretanto, a autenticidade dos áudios e sua relevância probatória deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Mulher já havia solicitado medidas protetivas contra o ex-companheiro
Informações divulgadas nesta quarta-feira (21) indicam que a vítima já havia procurado a Justiça anteriormente para solicitar proteção contra o advogado.
Uma decisão judicial datada de 14 de agosto de 2026, expedida pela 2ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Belém, registra que o investigado estava proibido de se aproximar da ex-companheira a uma distância inferior a 100 metros e de manter contato com ela por qualquer meio de comunicação.
Segundo os registros judiciais noticiados, a mulher também havia relatado possíveis descumprimentos das determinações, incluindo ligações realizadas por números desconhecidos e envio de mensagens de conteúdo intimidatório.
Essas informações reforçam a necessidade de apuração sobre o histórico de violência e ameaças relatado pela vítima, bem como sobre as circunstâncias que antecederam a tentativa de feminicídio.
OAB-PA determina suspensão cautelar do advogado
Em meio à repercussão do caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) informou, nesta quarta-feira (21), que determinou a suspensão cautelar do exercício profissional de Danilo Brasil Lopes, inscrito na instituição sob o número 27.705.
A decisão foi adotada em caráter excepcional pela Presidência da entidade, após representação apresentada pela Comissão da Mulher Advogada. O procedimento será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-PA, e a suspensão ainda deverá ser submetida à apreciação do Conselho Seccional.
A entidade esclareceu que a medida possui natureza provisória e não representa condenação definitiva, sendo assegurados ao profissional o contraditório e a ampla defesa durante a tramitação do procedimento disciplinar.
Polícia Civil investiga tentativa de feminicídio
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Pará, que deverá reunir depoimentos, documentos, eventuais imagens de segurança, registros de mensagens e demais elementos capazes de esclarecer a dinâmica da agressão.
As autoridades também poderão analisar as denúncias apresentadas pelos familiares sobre uma possível emboscada e eventual participação de terceiros.
O feminicídio é previsto no artigo 121-A do Código Penal Brasileiro e caracteriza-se pelo assassinato de mulher por razões da condição do sexo feminino, incluindo situações de violência doméstica e familiar. Quando a morte não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente, a conduta pode configurar tentativa de feminicídio, nos termos do artigo 14, inciso II, do Código Penal.
A investigação deverá esclarecer a responsabilidade criminal dos envolvidos, observando-se o devido processo legal e a presunção de inocência.




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