Alerta no Pará: avanço do El Ninõ aumentam preocupação com incêndios e queimadas em 2026
Com chegada do período mais seco, redução das chuvas e temperaturas elevadas, condições ficam cada vez mais favoráveis à propagação do fogo; cenário climático exige atenção redobrada nos próximos meses.

O Pará entra em um dos períodos mais preocupantes do ano para a ocorrência de queimadas e incêndios florestais. Com o avanço da estação menos chuvosa em grande parte do estado, o aumento das temperaturas e a redução da umidade deixam a vegetação mais vulnerável ao fogo e ampliam o risco de incêndios se espalharem rapidamente, principalmente quando associados à ação humana.
Dados oficiais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) mostram que o problema já vinha dando sinais de atenção antes mesmo do auge do período seco. Somente em maio de 2026, foram detectados 233 focos de queimadas no território paraense, número 12,6% maior que os 207 registrados no mesmo mês de 2025. Do total contabilizado em maio deste ano, 106 ocorrências foram identificadas em áreas de cobertura natural, incluindo florestas.
O cenário preocupa porque o Pará avança agora pelo segundo semestre, período em que diversas regiões do estado enfrentam naturalmente condições mais favoráveis à ocorrência e propagação do fogo.
Calor intenso aumenta preocupação
Em agosto, o calor também passou a chamar atenção. Um período de temperaturas acima da média atinge diferentes áreas do Brasil, com reflexos principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. No sudeste do Pará, as temperaturas podem alcançar marcas próximas dos 40°C ou até superiores em algumas áreas, enquanto sistemas de alta pressão dificultam a formação de nuvens e favorecem períodos prolongados de tempo quente e seco.

A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade, pouca chuva e vegetação ressecada cria condições perigosas. Uma pequena queimada utilizada para limpeza de terreno, por exemplo, pode sair do controle e alcançar pastagens, propriedades rurais e áreas de vegetação.
El Niño pode agravar cenário no segundo semestre
Outro fator que mantém especialistas e autoridades ambientais em alerta é o comportamento do El Niño.
No primeiro semestre de 2026, a La Niña chegou ao fim e o Oceano Pacífico Equatorial passou por um período de neutralidade. Entretanto, as projeções climáticas passaram a indicar uma mudança importante para a segunda metade do ano.
Previsões divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), baseadas em informações do Centro de Previsão Climática da NOAA, indicaram aumento expressivo da probabilidade de estabelecimento do El Niño durante o segundo semestre de 2026.
A partir do trimestre de agosto, setembro e outubro, as projeções apontavam probabilidade igual ou superior a 90% para o estabelecimento do fenômeno, com possibilidade de continuidade nos meses seguintes.
Para a faixa norte do Brasil, o El Niño costuma estar associado a condições que podem favorecer redução das chuvas e aumento das temperaturas, embora seus impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e a influência de outros sistemas climáticos, especialmente o Oceano Atlântico.
Fogo pode representar ameaça às florestas e comunidades
O problema não se limita à quantidade de focos detectados por satélite. Em condições extremamente secas, incêndios podem avançar por grandes áreas, atingir propriedades rurais, destruir pastagens e plantações, ameaçar comunidades e comprometer áreas de floresta.
A fumaça também representa preocupação para a população, principalmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, além de poder reduzir a visibilidade em estradas.

O Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mantém acompanhamento permanente dos focos ativos e do risco de fogo em 2026, com dados obtidos por satélites e atualizações frequentes.
Próximos meses exigem atenção redobrada
Com o Pará avançando pelo período de menor volume de chuvas e diante da perspectiva de influência do El Niño, os próximos meses serão decisivos para o combate às queimadas no estado.
Evitar qualquer uso irresponsável do fogo passa a ser fundamental. Queimadas realizadas sem controle podem ganhar grandes proporções em pouco tempo quando encontram vegetação seca, altas temperaturas e baixa umidade.
O cenário de 2026 reforça um alerta: o período mais crítico ainda pode estar pela frente. Monitoramento, fiscalização, prevenção e resposta rápida aos primeiros focos serão essenciais para impedir que pequenas queimadas se transformem em grandes incêndios no Pará.



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