Banda de Belém viraliza com reggae e conquista o Brasil em turnê nacional
Reggaetown já soma cerca de 30 milhões de visualizações com releituras que vão de Chico Buarque a System of a Down e agora leva o som para cinco estados e o Distrito Federal.

Uma banda nascida em Belém está mostrando que, no reggae, praticamente não existem fronteiras. A Reggaetown transformou músicas de universos completamente diferentes em versões com a identidade do reggae paraense, viralizou nas redes sociais e alcançou cerca de 30 milhões de visualizações. Agora, depois de conquistar público dentro e fora do Pará, o grupo leva essa mistura para uma nova turnê nacional.
Criada em 2010, a Reggaetown encontrou uma fórmula que chamou atenção justamente por unir o improvável. No repertório aparecem influências que passam pela MPB de Chico Buarque e chegam ao peso do System of a Down, tudo reconstruído sob a levada do reggae e com elementos da diversidade musical encontrada nas ruas de Belém.
O que começou de maneira despretensiosa ganhou proporções gigantescas. Amigos que moravam fora do Pará pediam gravações das versões que a banda apresentava nos shows. Em vez de enviar os vídeos individualmente, os músicos decidiram publicar uma releitura por semana nas redes sociais. A estratégia funcionou: segundo o vocalista Bruno Rodriguez, muitos vídeos passaram a registrar entre 100 mil e 200 mil visualizações, enquanto alguns chegaram à casa dos milhões.
De Chico Buarque ao System of a Down
A repercussão ganhou outro nível quando as versões chegaram aos próprios artistas homenageados. Uma releitura de Chico Buarque foi compartilhada pelo cantor. Depois, o grupo paraense colocou sua identidade em uma música do System of a Down e chamou a atenção de Shavo Odadjian, baixista da banda, que compartilhou a publicação duas vezes.
A exposição abriu as portas para novos públicos. A caixa de mensagens da banda começou a receber contatos de diferentes regiões do Brasil, incluindo convites para apresentações em bares, casas de shows, eventos e festivais. O sucesso virtual começou, então, a se transformar em oportunidades reais na estrada.
Mas a Reggaetown não quer ser conhecida apenas pelas versões. A visibilidade conquistada com os covers também passou a ser utilizada como uma vitrine para as composições autorais do grupo. Nos shows, músicas próprias são apresentadas ao lado das releituras que já conquistaram o público.
Reggae com DNA paraense
A identidade da banda carrega muito de Belém. Além da influência jamaicana, o grupo cresceu cercado por carimbó, brega, guitarrada, cumbia, melody, hip hop e rock. Bruno Rodriguez cresceu entre os bairros da Cidade Velha e do Jurunas, regiões conhecidas pela forte diversidade cultural e musical da capital paraense.
Essa mistura ajudou a criar um reggae com sotaque amazônico, capaz de dialogar tanto com músicas populares brasileiras quanto com clássicos internacionais do rock.
A formação atual reúne Bruno Rodriguez nos vocais, Lelo no baixo, Julian na bateria e Adria na guitarra, além de Augusto no staff. Aos 16 anos de trajetória, o grupo vive um dos momentos de maior projeção da carreira.

Turnê leva som de Belém pelo Brasil
O próximo passo é transformar o sucesso das telas em ainda mais quilômetros percorridos. A turnê começou no dia 27 de agosto, em Fortaleza, e segue até 13 de setembro, passando por Ceará, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Piauí. Estão previstas apresentações em locais como Canoa Quebrada, Vitória, Brasília, Niterói, Rio de Janeiro, Jericoacoara, Preá, Icaraizinho, Timon e Parnaíba.
Entre os grandes compromissos estão o Vix Festival, em Vitória, e o Fyah Festival, em Brasília. A Reggaetown divide programação com nomes conhecidos do reggae nacional e internacional, entre eles Israel Vibration, Mato Seco, Ponto de Equilíbrio, Cidade Verde, Alma Djem e Filosofia Reggae.
E as novidades não param na turnê. A banda trabalha na finalização de um álbum duplo de músicas autorais. Um dos projetos terá sonoridade próxima do new roots, com influências de rap e dub, enquanto o outro seguirá por uma proposta mais leve e romântica.
Com milhões de visualizações, reconhecimento de artistas nacionais e internacionais e uma agenda que atravessa diferentes regiões do país, a Reggaetown transforma a diversidade musical de Belém em cartão de visita e mostra que o reggae produzido na Amazônia pode chegar cada vez mais longe.



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