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Indígena conquista 1º lugar em medicina na UFPA e viraliza nas redes sociais

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
4 de ago.
3 min de leitura

Janilson Silva dos Anjos, da etnia Sateré-Mawé, superou dificuldades desde a infância, estudou durante seis anos para o vestibular.


Janilson dos Anjos foi aprovado em medicina em 2025. — Foto: Arquivo pessoal
Janilson dos Anjos foi aprovado em medicina em 2025. — Foto: Arquivo pessoal

A trajetória de Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, tem inspirado milhares de pessoas nas redes sociais. Integrante da etnia Sateré-Mawé, o estudante conquistou o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus de Altamira, por meio do processo seletivo destinado a candidatos indígenas, e passou a compartilhar sua rotina acadêmica, reunindo mais de 260 mil seguidores.


Natural da comunidade Aninga, no município de Boa Vista do Ramos, no interior do Amazonas, Janilson conta que a conquista é resultado de anos de dedicação e da superação de diversos desafios enfrentados desde a infância.


Caminhadas diárias para chegar à escola


Durante os primeiros anos de estudo, Janilson percorria aproximadamente oito quilômetros a pé todos os dias para frequentar a escola.

Segundo ele, a realidade da comunidade era marcada por limitações no acesso à educação. Em diversos momentos, faltavam materiais escolares básicos, como cadernos, lápis e canetas.


O estudante relembra que recebeu ajuda de professores para continuar frequentando as aulas.


"Em diversas ocasiões, professores me doaram cadernos para que eu pudesse continuar frequentando a escola", contou.

Infância no interior do Amazonas


Janilson cresceu em uma família que vivia da agricultura familiar e da pesca. Os pais, Raimundo dos Anjos, de 82 anos, e Maria dos Anjos, de 75 anos, trabalhavam na produção e venda de banana, farinha e peixe.


O estudante também ajudava nas atividades da família e utilizava parte da renda obtida com as vendas para comprar o próprio material escolar.


Patrocinador

Além das dificuldades financeiras, ele conviveu com problemas relacionados ao acesso à saúde. Segundo Janilson, doenças como malária e dengue eram frequentes na comunidade.

Um dos episódios mais marcantes de sua infância foi a perda de um irmão em decorrência da malária.


"Essas experiências ficaram marcadas em mim desde muito cedo", afirmou.

O sonho de cursar medicina


A decisão de seguir carreira na área da saúde surgiu ainda na adolescência.

Janilson conta que acompanhou um tio durante um tratamento médico em Manaus, quando foi descoberto que ele tinha câncer.


Segundo o estudante, a experiência mostrou as dificuldades enfrentadas por moradores de comunidades do interior para conseguir atendimento especializado, fortalecendo o desejo de se tornar médico.


"Acompanhar o sofrimento dele e perceber as dificuldades que pessoas do interior enfrentam para conseguir atendimento médico despertou em mim a certeza de que eu queria ser médico", relatou.

Seis anos de preparação


Aos 15 anos, durante o ensino médio, a família conseguiu se mudar para a sede do município de Boa Vista do Ramos.


Mesmo com a mudança, os desafios continuaram. Sem condições financeiras para pagar cursinhos preparatórios e sem acesso à internet em casa, Janilson estudava sozinho utilizando materiais recebidos por doação.


Segundo ele, a rotina incluía jornadas de duas a quatro horas de estudos durante a madrugada, conciliadas com o trabalho ao lado da família.


O estudante afirma que tentou ingressar no curso de Medicina durante seis anos.

Nesse período, enfrentou dificuldades financeiras, ansiedade e depressão, mas decidiu continuar tentando até a última oportunidade.


O jovem indígena mora em Altamira há cerca de um ano e meio. — Foto: Arquivo pessoal
O jovem indígena mora em Altamira há cerca de um ano e meio. — Foto: Arquivo pessoal

A surpresa com a aprovação


O resultado do processo seletivo ficou marcado como um dos momentos mais importantes de sua vida.

Janilson conta que, ao consultar inicialmente a lista geral de classificados, não encontrou seu nome e acreditou que havia sido reprovado.


Mesmo assim, decidiu acompanhar a transmissão oficial da universidade, na qual eram anunciados os aprovados.

Foi então que ouviu seu nome sendo chamado como primeiro colocado no processo seletivo especial destinado a candidatos indígenas.


"Eu já estava conformado com a reprovação. Então ouvi meu nome sendo anunciado em primeiro lugar. Fiquei sem acreditar. Foi um choque muito grande. Demorei dias para entender que aquilo realmente estava acontecendo", relembrou.

Rotina universitária nas redes sociais


Atualmente, Janilson cursa Medicina na UFPA, em Altamira, e utiliza as redes sociais para mostrar o cotidiano universitário, compartilhar experiências como estudante indígena e incentivar outras pessoas que sonham em ingressar no ensino superior.



Os vídeos publicados por ele têm alcançado milhares de visualizações e despertado o interesse de seguidores de diferentes regiões do país, tornando sua trajetória um exemplo de perseverança e dedicação aos estudos.

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