Justiça condena envolvida em esquema de tortura e morte de animais no Pará
Investigação da Polícia Federal revelou produção de vídeos sob encomenda para clientes estrangeiros; 32 animais foram mortos, pagamentos eram feitos em dólar e euro e outra pessoa acusada permanece foragida.

BELÉM (PA) — Um esquema marcado por crueldade contra animais e que ultrapassou as fronteiras do Brasil terminou com uma condenação na Justiça Federal do Pará. Uma pessoa acusada de produzir e comercializar pela internet vídeos contendo cenas de tortura, abuso e morte de animais foi condenada a quatro anos e cinco meses de reclusão.
A sentença também determinou pagamento de multa, proibição de manter qualquer animal sob sua guarda e indenização mínima de R$ 10 mil por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado a ações de proteção e defesa dos animais.
O caso foi revelado a partir da Operação Bestia, investigação da Polícia Federal que descobriu que os vídeos eram produzidos de maneira planejada e comercializados para compradores de outros países.
32 ANIMAIS FORAM MORTOS
A dimensão da violência constatada durante a investigação impressiona.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público Federal, a Justiça considerou comprovados os maus-tratos e a morte cruel de 32 animais.
Entre as vítimas estavam: 11 gatos, incluindo filhotes e adultos; dois coelhos; uma galinha; e 18 filhotes de aves, entre patos e galinhas.

Os crimes não teriam ocorrido de maneira isolada. A investigação apontou que as práticas eram repetidas e os vídeos produzidos para atender encomendas feitas por clientes. Ou seja: a violência contra os animais havia se transformado em produto comercial.
VÍDEOS ERAM VENDIDOS PARA CLIENTES NO EXTERIOR
A investigação revelou ainda uma estrutura que alcançava compradores fora do Brasil. Os conteúdos eram negociados por meio de plataformas digitais e grupos em aplicativos de mensagens. A Polícia Federal conseguiu rastrear pagamentos internacionais relacionados à comercialização do material.
Entre as moedas utilizadas nas transações estavam dólar e euro. As investigações também identificaram transferências realizadas por meio de Pix.
A produção dos vídeos teria se tornado uma fonte recorrente de renda para os envolvidos.
DENÚNCIA INTERNACIONAL LEVOU INVESTIGAÇÃO ATÉ O PARÁ
O esquema começou a ser descoberto a milhares de quilômetros do Brasil.
A organização não governamental búlgara Campaigns and Activism for Animals in the Industry identificou na internet conteúdos de violência extrema contra animais que teriam sido produzidos em território brasileiro.
As informações chegaram às autoridades e deram origem às investigações que posteriormente avançariam sobre os responsáveis pela produção do material.
A partir daí, a Polícia Federal passou a seguir os rastros deixados no ambiente digital e financeiro.
Pagamentos, negociações realizadas pela internet e outros elementos permitiram aos investigadores avançar na identificação das pessoas envolvidas.
OPERAÇÃO BESTIA CHEGOU AOS SUSPEITOS EM BELÉM
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou em Belém a Operação Bestia, destinada a combater o esquema de produção, comercialização e compartilhamento desse tipo de conteúdo. Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva.
As buscas produziram provas importantes. Na residência da pessoa posteriormente condenada, policiais federais apreenderam aparelhos eletrônicos contendo vídeos dos abusos.
Também foram localizadas roupas e objetos que correspondiam aos que apareciam nas gravações investigadas. A análise pericial ajudou a relacionar os materiais apreendidos às cenas que estavam sendo comercializadas.

CONFISSÃO DIANTE DA JUSTIÇA
Além das provas digitais, financeiras e periciais obtidas ao longo da investigação, houve um elemento decisivo durante o processo.
Em audiência, a pessoa acusada confessou a prática dos crimes.
A confissão reforçou o conjunto probatório que já havia sido produzido pela Polícia Federal e apresentado pelo Ministério Público Federal. A identidade da pessoa condenada não foi oficialmente divulgada pelo MPF porque o processo tramita sob sigilo.
PENA, TORNOZELEIRA E PROIBIÇÃO DE TER ANIMAIS
A Justiça Federal fixou a pena em quatro anos e cinco meses de reclusão, além de multa. Também foi estabelecido o pagamento de R$ 10 mil como valor mínimo de reparação pelos danos morais coletivos. O dinheiro deverá ser direcionado a iniciativas voltadas à proteção e à defesa dos animais. A sentença ainda determinou que a pessoa condenada não poderá manter animais sob sua guarda.
Como permaneceu presa preventivamente desde novembro de 2025, o período já cumprido foi descontado da pena. Com isso, a Justiça estabeleceu o regime aberto para o início do cumprimento da condenação. A prisão preventiva foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica. Também foi determinada a proibição de contato com a outra pessoa acusada de participação no esquema.

OUTRA ACUSADA CONTINUA FORAGIDA
O caso ainda não está completamente encerrado.
Uma segunda pessoa acusada de participação nos crimes permanece foragida e responde a processo separado. Já a pessoa condenada poderá recorrer da sentença em liberdade, desde que cumpra as condições impostas pela Justiça Federal.
O caso chama atenção não apenas pela quantidade de animais mortos, mas pela estrutura montada para transformar atos de extrema crueldade em conteúdo comercial destinado a compradores de outros países.
O que começou com uma denúncia internacional terminou em investigação da Polícia Federal, rastreamento financeiro, apreensão de provas digitais, prisão e, agora, condenação na Justiça Federal do Pará.




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