Sequência de acidentes em Tomé-açu e Quatro bocas aumentam preocupação de moradores
Atualizado: há 7 dias
Mortes, colisões, cargas espalhadas na pista e veículos fora da rodovia colocam novamente a segurança viária no centro das atenções; trecho entre Tomé-Açu e Quatro Bocas exige atenção redobrada de motoristas e motociclistas.

A PA-140 voltou a chamar atenção pela sucessão de ocorrências registradas nos últimos meses em Tomé-Açu e no distrito de Quatro Bocas. Acidentes com vítimas fatais, veículos destruídos, cargas desprendidas de caminhões e situações de risco envolvendo motociclistas formam um cenário que preocupa quem utiliza diariamente uma das principais ligações rodoviárias do nordeste paraense. Não há, nos dados públicos consultados, base suficiente para afirmar que determinado ponto seja oficialmente o “mais perigoso” da rodovia, mas os episódios recentes mostram que a segurança no trânsito precisa permanecer no centro das atenções.
Um dos casos mais graves ocorreu na noite de 14 de junho, na PA-140, em Quatro Bocas. Três carros de passeio — um Volkswagen Fox, um Fiat Argo e um Fiat Siena — se envolveram em uma violenta colisão. Inicialmente, o acidente deixou um homem morto e quatro pessoas feridas. Entre os feridos estava uma criança de nove anos, transferida para Belém em estado grave.
No dia seguinte, veio a notícia que aumentou ainda mais a comoção em Tomé-Açu: José Ribamar Espíndola Padilha Neto, de apenas 9 anos, não resistiu aos ferimentos, tornando-se a segunda vítima fatal da colisão. O outro morto foi identificado como Valmir Costa e Costa, de 44 anos. Outras três pessoas ficaram feridas.

As informações preliminares divulgadas à época apontavam que o Fox teria trafegado em alta velocidade e invadido a faixa contrária antes da colisão. A Polícia Civil informou que o caso seria investigado pela Delegacia de Quatro Bocas, com solicitação de perícias para esclarecer a dinâmica do acidente.
Toras se soltam de caminhão e atingem motocicleta
Outro episódio assustador ocorreu mais recentemente, em 14 de agosto, também na PA-140, em Tomé-Açu.
Dessa vez, o perigo veio de uma carga transportada por um veículo pesado. Toras de madeira se desprenderam de um caminhão durante o deslocamento, caíram sobre a rodovia e atingiram uma motocicleta que passava pelo local. Imagens registradas após o acidente mostraram as toras espalhadas pela pista e a motocicleta atingida. Até a publicação da ocorrência, não havia informação oficial sobre o estado de saúde da motociclista nem sobre a causa do desprendimento da carga.
O episódio chama atenção para um risco diferente daquele normalmente associado a colisões: o transporte de cargas em rodovias compartilhadas por caminhões, automóveis e motocicletas. Uma carga que se desloca ou cai sobre a pista pode transformar-se em obstáculo praticamente impossível de evitar para quem vem logo atrás.
Caminhonete sai da pista na ligação com Tomé-Açu
Também em agosto, outro acidente chamou atenção na região. Uma caminhonete caiu em uma represa às margens da PA-256, entre Paragominas e Tomé-Açu, nas proximidades do km 165.
Segundo as informações divulgadas, o motorista teria realizado uma manobra para evitar uma colisão com um veículo de carga, perdeu o controle da caminhonete e saiu da pista. O veículo acabou parcialmente submerso e o condutor ficou preso em seu interior, chegando a perder a consciência. Policiais militares do Batalhão de Polícia Rodoviária realizaram o resgate.
Carreta também foi destruída por incêndio em Quatro Bocas
A PA-140 ainda registrou outro episódio de grande impacto visual neste ano. Em 2 de julho, uma carreta carregada com óleo vegetal foi destruída por um incêndio em frente à Delegacia de Polícia Civil de Quatro Bocas.
As chamas comprometeram o trânsito durante o atendimento da ocorrência. Na ocasião da publicação, não havia confirmação oficial sobre feridos nem sobre a causa do incêndio.
Somados, os episódios revelam que os perigos enfrentados pelos usuários das rodovias da região não se limitam a uma única causa. Há colisões, saídas de pista, veículos pesados, transporte de cargas e situações emergenciais capazes de alterar rapidamente as condições de circulação.
Pontos de risco: cuidado com conclusões precipitadas
É importante fazer uma distinção. As ocorrências recentes permitem identificar trechos que merecem atenção, mas não encontrei levantamento oficial atualizado que permita classificar cruzamentos, curvas ou quilômetros específicos de Quatro Bocas e Tomé-Açu como os “pontos mais perigosos” da PA-140.
Entre os locais que apareceram nas ocorrências recentes estão o trecho da PA-140 em Quatro Bocas, onde ocorreu a colisão fatal de junho, e a área em frente à Delegacia de Quatro Bocas, onde uma carreta pegou fogo em julho.

A identificação técnica de um ponto crítico depende de fatores como número de acidentes, quantidade e gravidade das vítimas, fluxo de veículos, características geométricas da estrada e histórico acumulado de ocorrências.
O Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (Renaest), mantido pela Secretaria Nacional de Trânsito, reúne dados de acidentes, veículos e vítimas, embora a própria página oficial faça ressalvas sobre a completude de dados de determinados períodos.
PA-140 pede atenção de todos
Os acidentes recentes não autorizam concluir, sem estatísticas oficiais consolidadas, que Tomé-Açu esteja vivendo uma “epidemia” de acidentes ou que a PA-140 seja atualmente a rodovia mais perigosa da região. Mas seria igualmente equivocado ignorar os sinais.
São acontecimentos diferentes, mas todos reforçam a necessidade de prudência, fiscalização, manutenção adequada dos veículos, acondicionamento seguro das cargas e avaliação permanente das condições das rodovias.
Para quem sai de casa todos os dias e precisa passar pela PA-140, a preocupação é compreensível. O destino pode esperar alguns minutos. Uma vida, não.




Comentários