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Preço dos alimentos dispara no Pará: feijão sobe quase 60% e carne fica 16% mais cara

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
há 16 horas
3 min de leitura

Pesquisa revela aumento expressivo nos preços de produtos essenciais em Belém; custo da cesta básica chega a R$ 731,62 e compromete quase metade do salário mínimo líquido dos trabalhadores.


Alta nos preços dos alimentos preocupa consumidores e comerciantes na capital paraense. Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução)
Alta nos preços dos alimentos preocupa consumidores e comerciantes na capital paraense. Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução)

O aumento no preço dos alimentos continua pressionando o orçamento das famílias paraenses, principalmente entre os consumidores que dependem de produtos básicos para a alimentação diária. Um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), revelou que o feijão acumulou alta de 59,06% nos últimos 12 meses em Belém, enquanto a carne bovina ficou 16,26% mais cara no mesmo período. Os dados, referentes a setembro de 2026, mostram que itens tradicionais da alimentação dos brasileiros estão exigindo uma parcela cada vez maior da renda familiar.


O feijão foi um dos produtos que mais chamaram atenção na pesquisa. Em setembro de 2025, o quilo custava, em média, R$ 5,30 na capital paraense. Um ano depois, o valor chegou a R$ 8,43, representando um aumento superior a R$ 3 por quilo. Somente entre janeiro e setembro deste ano, a elevação acumulada foi de 53,27%. Apesar de uma pequena redução de 2,66% em relação a agosto, o alimento permanece significativamente mais caro do que no ano passado, dificultando as compras de famílias que precisam economizar para garantir os produtos essenciais.


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A carne bovina também apresentou aumento considerável. O preço médio do quilo passou de R$ 40,22, em setembro de 2025, para R$ 46,76 no mesmo mês de 2026. No acumulado deste ano, o reajuste chegou a 10,70%, atingindo diferentes cortes comercializados em mercados e açougues. No Complexo do Guamá, em Belém, comerciantes relataram dificuldades para absorver os aumentos cobrados pelos fornecedores. Enquanto cortes mais acessíveis, como agulha e peito, foram encontrados por cerca de R$ 25 o quilo em determinados estabelecimentos, opções como chã e paulista chegaram a R$ 48.


O arroz, outro alimento indispensável na mesa dos paraenses, apresentou comportamento diferente. Embora tenha registrado queda de 5,08% na comparação com setembro de 2025, o produto acumulou aumento de 9,80% entre janeiro e setembro de 2026. O preço médio passou de R$ 4,35 para R$ 5,04 por quilo nesse intervalo, demonstrando que, mesmo com a redução anual, os consumidores também enfrentaram reajustes ao longo deste ano.


O encarecimento não ficou restrito a esses três alimentos. Segundo o Dieese-PA, o custo da cesta básica em Belém chegou a R$ 731,62 em setembro, após registrar aumento de 3,17% em relação a agosto, quando custava R$ 709,12. A diferença de R$ 22,50 em apenas um mês representa mais uma pressão sobre as despesas domésticas. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a cesta básica ficou 9,76% mais cara, passando de R$ 666,57, em janeiro, para R$ 731,62, em setembro.


Entre os produtos que contribuíram para a elevação mensal, o tomate apresentou a maior variação, com aumento de 22,43%, seguido pelo óleo de soja, arroz, pão francês e carne bovina. Por outro lado, alguns itens tiveram redução de preços, como feijão, café em pó, manteiga e leite integral. Apesar dessas quedas pontuais, o custo total da alimentação básica permaneceu elevado.


custo da cesta básica chega a R$ 731,62 (Foto: Reproduçao)
custo da cesta básica chega a R$ 731,62 (Foto: Reproduçao)

O impacto é ainda mais significativo para os trabalhadores que recebem um salário mínimo. Conforme o levantamento, foi necessário comprometer aproximadamente 48,79% da remuneração líquida para adquirir os 12 produtos que compõem a cesta básica. Isso significa que quase metade do dinheiro recebido após os descontos foi destinada exclusivamente à compra desses alimentos, sem considerar despesas com moradia, energia elétrica, água, transporte, medicamentos e outras necessidades.


A situação também preocupa os comerciantes, que precisam equilibrar os reajustes dos fornecedores com a capacidade de compra dos clientes. Em mercados populares de Belém, vendedores têm buscado alternativas, como adquirir mercadorias em maiores quantidades, substituir marcas e oferecer cortes de carne mais baratos, na tentativa de manter as vendas e evitar perdas.


Os números reforçam os desafios enfrentados pela população diante da elevação do custo de vida. Embora a pesquisa tenha sido realizada especificamente em Belém e não represente automaticamente os preços praticados em todos os municípios do Pará, o levantamento serve como importante indicador do peso da alimentação no orçamento familiar. Para os consumidores, pesquisar preços, comparar estabelecimentos e adaptar as compras à renda disponível tornaram-se medidas cada vez mais importantes para enfrentar os reajustes.

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