UFRA inicia nova era: Gracialda Ferreira assume Reitoria com mandato até 2030
Engenheira florestal nascida em Abaetetuba foi escolhida pela comunidade acadêmica e assume a universidade ao lado do vice-reitor Raimundo Thiago Lima da Silva, com propostas voltadas à interiorização, ciência e aproximação com comunidades amazônicas.

A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) iniciou oficialmente um novo ciclo de gestão. A professora Gracialda Costa Ferreira assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026–2030, após a cerimônia de transmissão de cargo realizada nesta terça-feira (15), no campus de Belém. Ela sucede Janae Gonçalves, que comandava a universidade em caráter pro tempore.
A chegada de Gracialda ao principal cargo da UFRA é resultado de um processo eleitoral realizado em junho. A chapa formada por ela e pelo professor Raimundo Thiago Lima da Silva, vice-reitor, recebeu 4.200 votos e alcançou 58,98% dos votos válidos. Ao todo, 6.605 integrantes da comunidade acadêmica participaram da votação, entre estudantes, professores e técnicos administrativos.
A escolha teve caráter histórico. Segundo a própria UFRA, a instituição tornou-se a primeira universidade federal da Amazônia e a segunda do Brasil a ter sua gestão escolhida diretamente pela comunidade acadêmica após o fim da lista tríplice. A mudança no processo de escolha dos dirigentes das universidades federais ocorreu após alterações na legislação em 2026.
Gracialda e Thiago foram posteriormente nomeados para os cargos por decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União em 24 de agosto. O mandato registrado para a nova reitora segue até 23 de agosto de 2030.

Da infância ribeirinha à Reitoria
A trajetória da nova reitora também carrega uma forte ligação com o interior paraense. Gracialda nasceu em 1971, na vila de Beja, em Abaetetuba, e cresceu em uma família ligada à vida ribeirinha, à agricultura e aos recursos da floresta e dos rios. Antes da carreira universitária, chegou a fazer curso técnico em contabilidade.
Sua aproximação com a área florestal ocorreu após chegar a Belém e trabalhar em um projeto de cooperação internacional na Embrapa. Posteriormente, ingressou na então Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), instituição que daria origem à atual UFRA, para cursar Engenharia Florestal.
Gracialda é engenheira florestal, mestre em Ciências Florestais e doutora em Botânica. Ingressou como estudante da FCAP em 1996 e passou a integrar o corpo docente da UFRA em 2002. Ao longo da carreira, desenvolveu atividades nas áreas de Dendrologia Tropical, Manejo Florestal e Recuperação de Áreas Degradadas, além de exercer diferentes funções acadêmicas e administrativas.
A professora também coordenou projetos de pesquisa e extensão, participou de acordos de cooperação técnica e acumula produção acadêmica com mais de 50 artigos científicos e 17 livros, segundo informações divulgadas pela universidade.
Interiorização e ciência estão entre prioridades
A nova gestão afirma que pretende fortalecer o caráter multicampi da UFRA, buscando ampliar a atenção aos campi e polos localizados fora de Belém. O vice-reitor Raimundo Thiago Lima da Silva, docente do campus de Capitão Poço, destacou que a proposta é aproximar ainda mais a instituição da sociedade e ampliar oportunidades para estudantes de diferentes grupos sociais.
Gracialda também aponta como prioridade aproximar a universidade dos povos dos campos, das águas e das florestas, além das comunidades tradicionais da Amazônia. Outro objetivo declarado é fazer com que a produção científica desenvolvida dentro da UFRA tenha maior impacto social e participe das discussões relacionadas às mudanças climáticas e ao equilíbrio ambiental.
A nova reitora passa ainda a integrar um grupo de mulheres que atualmente comandam universidades federais na Região Norte. Além da UFRA, instituições como UFAM, UFOPA, UNIR e UFT também possuem mulheres em suas reitorias, segundo levantamento divulgado pela universidade.
Com a transmissão de cargo concluída, Gracialda Ferreira e Raimundo Thiago Lima da Silva passam a conduzir oficialmente a Universidade Federal Rural da Amazônia, em uma gestão que deverá se estender pelos próximos quatro anos.




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