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El Niño ganha força e pode provocar calor intenso e menos chuva no Pará nos próximos meses

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
17 de set.
3 min de leitura

Fenômeno deve alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o verão; Norte do Brasil pode enfrentar chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e maior risco de queimadas.


 El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico (Foto: Gerada por IA)
 El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico (Foto: Gerada por IA)

O El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico e deve provocar mudanças importantes no clima brasileiro nos próximos meses, com reflexos diferentes entre as regiões do país. Para o Pará e outras áreas da Amazônia Legal, o cenário exige atenção principalmente para a possibilidade de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e prolongamento do período seco.


A atualização mais recente do Climate Prediction Center (CPC), ligado à NOAA, divulgada em 10 de setembro, aponta que o El Niño continua se intensificando e tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte durante o outono e inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027, período que corresponde principalmente à primavera e ao verão no Brasil.


As projeções oficiais indicam que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial deve continuar avançando até o fim deste ano. Para o trimestre de setembro a novembro, a previsão atual do CPC atribui 97% de probabilidade à categoria de El Niño muito forte. Para outubro a dezembro, esse percentual chega a 98%.


Pará pode ter menos chuva e temperaturas mais altas


No Brasil, os impactos do El Niño não ocorrem da mesma maneira em todas as regiões. O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como INPE, INMET, ANA, Cemaden, Defesa Civil e Censipam, indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste durante o trimestre setembro-outubro-novembro.



Na Amazônia Legal, a atenção se volta para estados como Pará, Amazonas, Amapá, Roraima, Acre e Maranhão, além do norte de Mato Grosso. Nessas áreas, a combinação de precipitações abaixo do normal e temperaturas acima da média pode prolongar a estação seca e aumentar o déficit hídrico.


No Pará, especificamente, a previsão do INMET para setembro aponta predomínio de volumes de chuva abaixo da média histórica em grande parte do estado, embora algumas áreas, como setores do noroeste paraense, possam registrar condições diferentes.


Risco de queimadas pode aumentar na Amazônia


Um dos principais pontos de preocupação é o risco de incêndios florestais. Segundo o Painel El Niño, a combinação de temperaturas elevadas, redução das chuvas e possível atraso no início da estação chuvosa pode manter o solo e a vegetação secos por mais tempo.


Na Amazônia Legal, onde os próximos meses normalmente representam uma transição gradual entre os períodos seco e chuvoso, um El Niño intenso e prolongado pode retardar essa mudança. Como consequência, algumas áreas podem permanecer mais suscetíveis a queimadas e incêndios florestais.


Os efeitos também podem alcançar os recursos hídricos. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lançou, em setembro, um plano específico de preparação para enfrentar os possíveis impactos do El Niño 2026/2027 sobre rios, reservatórios e outros sistemas hídricos brasileiros.


Sul deve enfrentar cenário diferente


Enquanto Norte e Nordeste apresentam tendência de redução das chuvas, a Região Sul pode viver situação oposta, com maior probabilidade de precipitações acima da média, principalmente no Rio Grande do Sul.


El Niño afeta o Brasil de formas diferentes (Foto: gerada por IA)
El Niño afeta o Brasil de formas diferentes (Foto: gerada por IA)

O aumento da frequência ou intensidade das chuvas pode elevar o risco de inundações, enxurradas e outros eventos associados ao excesso de precipitação, razão pela qual os órgãos federais recomendam acompanhamento constante das previsões meteorológicas e hidrológicas.


Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também apresentam tendência de precipitações acima da média no trimestre setembro-outubro-novembro.


El Niño pode alcançar intensidade excepcional


A atualização de setembro da NOAA reforçou a possibilidade de um episódio excepcionalmente intenso. Para o trimestre outubro-dezembro de 2026, o CPC estima 75% de chance de o índice RONI atingir pelo menos 2,5°C, patamar que faria o episódio superar, por esse indicador, a força dos eventos anteriores da série iniciada em 1950.


Apesar das projeções, os meteorologistas ressaltam que um El Niño muito forte não significa que todos os impactos previstos necessariamente ocorrerão com a mesma intensidade. O fenômeno altera as probabilidades de determinados padrões de temperatura e precipitação, mas outros fatores atmosféricos também influenciam o clima de cada região.


Diante do cenário, os órgãos de monitoramento recomendam atenção às atualizações do INMET, INPE, Cemaden, ANA, Censipam e Defesa Civil, principalmente nas regiões mais vulneráveis à estiagem, incêndios florestais, redução dos níveis dos rios ou, no caso do Sul, excesso de chuvas.

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