O chão pode tremer no Pará? Abalos em Tucuruí, Parauapebas e em Belém acendem alerta
Atualizado: 19 de ago.
Mesmo distante das grandes bordas de placas tectônicas, o Pará registra tremores próprios e também pode sentir reflexos de terremotos ocorridos em outros países.

Quando se fala em terremoto, é comum imaginar países como Japão, Chile ou regiões situadas sobre grandes falhas tectônicas. Mas registros ocorridos no Pará mostram que o chão também pode tremer em território paraense.
Tremores registrados em municípios como Tucuruí e Parauapebas, além de reflexos de grandes terremotos ocorridos fora do Brasil sentidos até em Belém, colocaram novamente a atividade sísmica do estado em discussão.
A boa notícia é que a realidade geológica brasileira é muito diferente daquela encontrada nas regiões mais perigosas do planeta. O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de encontro entre placas tectônicas, onde se concentram os terremotos mais destrutivos.
Isso reduz consideravelmente o risco de grandes terremotos. Mas não significa que o Pará seja uma região totalmente livre de abalos sísmicos.
Tucuruí registrou sequência de tremores em 2026
Um dos episódios que mais chamaram atenção neste ano aconteceu em Tucuruí, no sudeste do Pará.
Na madrugada e manhã de 11 de junho de 2026, equipamentos da Rede Sismográfica Brasileira registraram uma sequência de três terremotos na região de Tucuruí.
Um dos eventos alcançou magnitude 3,5, segundo registros do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.

Os tremores foram percebidos pela população. Moradores relataram barulho, movimentação de objetos, janelas tremendo e uma sequência de fortes impactos.
Os registros mostram que não se trata apenas de uma sensação isolada dos moradores: os eventos foram efetivamente detectados por equipamentos de monitoramento sísmico.
Parauapebas também já sentiu a terra tremer
Outro município paraense que possui histórico recente de atividade sísmica é Parauapebas, na região de Carajás.
Em abril de 2025, um tremor de magnitude 4,3 foi registrado nas proximidades do município pelo Observatório Nacional.
O evento ocorreu durante a madrugada e foi suficientemente forte para ser percebido por moradores.
Antes dele, outros tremores menores já haviam sido registrados no Pará, incluindo eventos em Parauapebas, Novo Repartimento e Tucuruí.
Esses episódios ajudam a mostrar que, embora terremotos de grande poder destrutivo sejam incomuns no Brasil, pequenos e moderados abalos fazem parte da realidade geológica do território nacional.
Mas por que existem terremotos no Pará?
A explicação está debaixo dos nossos pés.
Mesmo estando distante das bordas das placas tectônicas, o território brasileiro possui falhas geológicas antigas.

A enorme Placa Sul-Americana está constantemente submetida a forças e tensões. Essas pressões podem se acumular em determinados pontos da crosta e provocar movimentações em falhas antigas.
Quando ocorre uma liberação repentina dessa energia, surgem os chamados terremotos intraplaca — aqueles que acontecem no interior de uma placa tectônica.
Pesquisadores apontam que esse mecanismo ajuda a explicar parte dos tremores registrados no Pará.
As regiões do sul e sudeste paraense, incluindo áreas de Carajás, Parauapebas, Marabá e Tucuruí, estão entre as que chamam maior atenção nos registros sísmicos do estado.
Também existem registros e áreas de interesse geológico em outras partes do Pará.
E Belém? Existe risco de terremoto?
A situação da capital exige uma diferenciação importante.
Nem todo tremor percebido em Belém significa que ocorreu um terremoto embaixo da cidade.
Grandes terremotos registrados em países vizinhos podem produzir ondas sísmicas capazes de viajar por milhares de quilômetros e chegar ao território brasileiro.
Foi o que ocorreu em 24 de junho de 2026, quando fortes terremotos na Venezuela tiveram reflexos percebidos em cidades brasileiras.
Em Belém, moradores de prédios, principalmente nos andares mais altos, relataram sensação de balanço. Houve registros em bairros como Umarizal, Nazaré, Pedreira e Cremação, e algumas edificações foram evacuadas preventivamente.
Belém e Santarém estiveram entre as cidades paraenses onde houve percepção dos efeitos.
Isso acontece porque edifícios altos podem tornar mais perceptíveis oscilações provocadas por ondas sísmicas de períodos mais longos.
Portanto, sentir um prédio balançar em Belém não significa necessariamente que o epicentro esteja no Pará.
Existe risco de um grande terremoto devastar o Pará?
Com o conhecimento científico disponível atualmente, o risco brasileiro é muito menor que o de países situados nos limites das placas tectônicas.
Não existe, até o momento, indicação científica de que um grande terremoto destrutivo esteja prestes a atingir o Pará.

Entretanto, também seria incorreto afirmar que o estado está completamente livre de terremotos.
O próprio histórico recente comprova a ocorrência de atividade sísmica.
O que muda é principalmente a magnitude e a frequência dos eventos.
Tremores pequenos podem ocorrer e, dependendo da magnitude, profundidade e distância de áreas urbanas, podem ser sentidos pela população.
Pará não está imune — mas cenário é diferente dos grandes terremotos
Os acontecimentos recentes deixam uma mensagem importante: terremotos não são impossíveis no Pará.
O estado possui atividade sísmica própria, principalmente relacionada às tensões existentes no interior da Placa Sul-Americana, e também pode sentir ondas produzidas por grandes terremotos ocorridos em outros países.
Isso, porém, está muito distante de significar que o Pará esteja prestes a enfrentar uma catástrofe semelhante às observadas em regiões altamente sísmicas do planeta.
O monitoramento científico permite acompanhar esses eventos e entender melhor o comportamento das estruturas geológicas existentes sob o território paraense.
Por enquanto, a orientação é de atenção às informações oficiais — sem pânico, mas também sem ignorar um fato que os próprios equipamentos já comprovaram:
o chão do Pará pode, sim, tremer.



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