Pará entra no centro da corrida global por minerais críticos e pode ganhar protagonismo na indústria
Riqueza mineral coloca o estado em posição estratégica diante da crescente demanda por matérias-primas usadas em veículos elétricos, energia limpa e alta tecnologia; desafio é transformar recursos naturais em desenvolvimento e industrialização.

O Pará está ganhando ainda mais importância no mapa mundial da mineração diante da corrida pelos chamados minerais críticos e estratégicos. A crescente procura por matérias-primas indispensáveis à transição energética, à digitalização e às novas tecnologias abre uma janela de oportunidades para o estado, que reúne tradição mineral, grandes projetos e relevante potencial geológico.
O movimento ganhou força nesta semana com a sanção da Lei nº 15.506/2026, que instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A legislação, sancionada no último dia 16, estabelece uma estratégia nacional que envolve desde pesquisa e lavra até beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana. A proposta é fazer com que uma parcela maior da riqueza gerada por esses recursos permaneça no Brasil, em vez de o país atuar predominantemente como fornecedor de matéria-prima.
Minerais que movimentam a nova economia mundial
Lítio, níquel, cobre, grafita, manganês, nióbio, cobalto e terras raras estão entre os recursos que ganharam enorme importância econômica e geopolítica. Eles são utilizados na fabricação de baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, redes de transmissão, computadores, smartphones, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia.
A importância desses minerais não significa necessariamente que sejam raros na natureza. Eles podem ser considerados críticos devido à importância econômica e, principalmente, ao risco de interrupção do fornecimento, especialmente quando a produção ou o processamento mundial está concentrado em poucos países.

É justamente nesse cenário que o Brasil aparece com vantagem geológica. A Agência Nacional de Mineração (ANM) destaca a relevância brasileira na produção de lítio, níquel, cobre, nióbio, manganês e grafita, além do potencial em terras raras. Pará, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Amazonas estão entre os estados que concentram ocorrências e projetos relacionados a esses recursos.
Pará ocupa posição estratégica
Para o Pará, essa nova corrida mundial representa uma oportunidade especialmente relevante. O estado já possui uma das cadeias minerais mais importantes do país e integra a Amazônia Legal, região responsável por quase metade do valor gerado pelos minerais estratégicos brasileiros, segundo estudo divulgado pela ANM em julho.
O levantamento mostra, porém, que a produção amazônica ainda é fortemente concentrada em ferro, bauxita, cobre e ouro. Minerais considerados fundamentais para as novas cadeias tecnológicas, como terras raras e cobalto, ainda não possuem produção na região, demonstrando que existe uma distância entre o potencial geológico conhecido e sua efetiva transformação em atividade econômica.
Entre 2006 e 2024, foram investidos R$ 40,4 bilhões em minas e usinas de beneficiamento de minerais estratégicos na Amazônia Legal, sem considerar o minério de ferro. Somente em 2024, os maiores investimentos foram destinados ao cobre, níquel, alumínio, ouro e manganês.

O grande desafio: não apenas extrair, mas industrializar
Ter reservas minerais, entretanto, é apenas parte dessa disputa. O desafio colocado para o Pará e para o Brasil é avançar além da extração, criando capacidade para beneficiar, processar e transformar os minerais em produtos de maior valor agregado dentro do próprio país.
Isso significa aproveitar a mineração para estimular novas indústrias, desenvolvimento tecnológico, pesquisa, infraestrutura e empregos especializados. A nova política nacional foi criada justamente com diretrizes voltadas ao fortalecimento dessas etapas da cadeia produtiva.
O tamanho do interesse econômico também aparece nas projeções de investimentos. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima US$ 21,3 bilhões em investimentos em minerais críticos entre 2026 e 2030, considerando recursos como cobre, níquel, terras raras, bauxita, lítio, grafita, nióbio, vanádio, titânio e zinco.
Nesse novo cenário, o Pará tem diante de si uma oportunidade que vai muito além da mineração tradicional. A discussão passa agora por como transformar a riqueza existente no subsolo em industrialização, tecnologia, empregos e desenvolvimento regional, conciliando a expansão econômica com os desafios socioambientais de um estado inserido no coração da Amazônia.



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