top of page
  • Instagram
  • Facebook
  • TikTok
  • Youtube

Tragédia no Nepal reacende alerta sobre efeitos das mudanças climáticas

Foto do escritor: SAIBA AGORA PARÁ
SAIBA AGORA PARÁ
17 de set.
3 min de leitura

Estudo aponta que aquecimento global contribuiu para derretimento de geleiras e descongelamento do permafrost no Himalaia; desastre já deixou mais de 1,4 mil mortos e milhares de desaparecidos.


Avalanche no Nepal (Foto: Reprodução)
Avalanche no Nepal (Foto: Reprodução)

Uma das maiores tragédias naturais recentes do Nepal está ampliando o alerta mundial sobre os efeitos das mudanças climáticas em regiões montanhosas. Uma análise científica divulgada nesta quinta-feira (17) aponta que o aquecimento global provocado pela atividade humana contribuiu para criar condições que favoreceram o gigantesco colapso de rochas e gelo ocorrido no Himalaia em agosto.


O desastre aconteceu em 26 de agosto de 2026, quando uma enorme porção de rocha e gelo se desprendeu da região da montanha Langtang Lirung, próxima à fronteira entre Nepal e China. A massa desceu violentamente pela região montanhosa e desencadeou uma sequência de avalanches, fluxo de detritos e uma inundação repentina que atingiu comunidades e infraestruturas localizadas rio abaixo.


O balanço da tragédia continua aumentando. Segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, 1.403 corpos já haviam sido recuperados e 6.150 pessoas continuavam desaparecidas nesta quinta-feira. As operações de busca prosseguem em áreas atingidas pela lama, rochas e destroços.


Aquecimento deixou montanhas mais instáveis


A análise foi realizada pelo World Weather Attribution (WWA), grupo internacional de pesquisadores especializado em avaliar a influência das mudanças climáticas sobre eventos extremos e desastres.


Aquecimento deixou montanhas mais instáveis (Foto: Reprodução)
Aquecimento deixou montanhas mais instáveis (Foto: Reprodução)

Os cientistas ressaltam que não é possível atribuir o colapso exclusivamente às mudanças climáticas. Entretanto, encontraram evidências de que décadas de aquecimento contribuíram para reduzir as geleiras, descongelar o permafrost e aumentar a quantidade de água proveniente do derretimento, deixando a encosta mais vulnerável.


O permafrost é uma camada de solo, sedimentos ou rochas que permanece congelada durante longos períodos. Em grandes altitudes, o gelo existente nas fraturas das rochas pode ajudar a manter estruturas montanhosas estáveis. Quando esse gelo descongela, as encostas podem ficar mais suscetíveis a rupturas.


Segundo o estudo, o aquecimento fez a altitude da linha de congelamento subir aproximadamente 100 metros por década no alto Himalaia. Isso significa que regiões que anteriormente permaneciam congeladas durante grande parte do ano estão sendo submetidas por mais tempo a temperaturas acima de zero.


Geleiras estão perdendo espessura


Outra transformação observada pelos pesquisadores é o recuo das geleiras. Na região atingida, elas vêm perdendo massa há décadas, com redução de espessura equivalente a mais de meio metro por ano. A geleira de Langtang Lirung recuou aproximadamente 500 metros desde a década de 1990, expondo áreas rochosas que anteriormente permaneciam cobertas pelo gelo.


O período imediatamente anterior à tragédia também chamou a atenção dos pesquisadores. Julho e agosto de 2026 foram os meses mais quentes já registrados localmente, segundo a análise. O estudo estima ainda que as mudanças climáticas acrescentaram cerca de 1,5°C ao aquecimento observado na região durante esses dois meses.


Além disso, uma quantidade elevada de neve acumulada entre outubro e novembro de 2025 posteriormente produziu grandes volumes de água de degelo à medida que as temperaturas aumentaram, adicionando outro fator de instabilidade.


Geleiras estão perdendo espessura (Foto: Reprodução)
Geleiras estão perdendo espessura (Foto: Reprodução)

Terremoto de 2015 também pode ter contribuído


Os pesquisadores destacam que o desastre foi resultado de uma combinação complexa de fatores climáticos e geológicos.


Um deles pode ter sido o forte terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o Nepal em 2015. O tremor pode ter provocado fraturas e enfraquecido a estrutura rochosa da montanha anos antes do colapso, embora os cientistas afirmem que ainda não é possível determinar exatamente o peso desse fator na tragédia de agosto.


Por isso, o episódio é tratado pelos pesquisadores como uma cadeia de riscos: uma encosta geologicamente vulnerável foi submetida durante anos ao recuo das geleiras, ao descongelamento do permafrost e ao aumento das temperaturas até ocorrer o colapso de rocha e gelo, que posteriormente desencadeou uma inundação devastadora.


Tragédia acende alerta para o Himalaia


Os resultados ampliam a preocupação com outras regiões montanhosas do planeta. Geleiras e áreas de permafrost respondem lentamente ao aumento da temperatura, o que significa que parte da instabilidade provocada pelo aquecimento ocorrido nas últimas décadas pode continuar produzindo consequências no futuro.


Patrocinador

Os pesquisadores defendem maior monitoramento das geleiras e encostas, sistemas de alerta mais avançados e planejamento mais cuidadoso de comunidades e infraestruturas instaladas em áreas vulneráveis.


O desastre também demonstrou os limites das medidas de adaptação. Apesar de o Nepal possuir sistemas de alerta e planos de redução de riscos, a dimensão e a velocidade da sequência de eventos superaram a capacidade de resposta disponível em diversas áreas atingidas.


Enquanto os cientistas continuam investigando o que ocorreu no Himalaia, milhares de famílias ainda aguardam informações sobre parentes desaparecidos. As equipes de emergência seguem atuando em uma região marcada por terreno montanhoso, grande quantidade de destroços e dificuldades de acesso.

Comentários


bottom of page